Instituto de Medicina Tradicional

Prof. Teresa Semedo
Realizado por: Luna Hora, 7394
Naturopatia 2ºA

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Caracterização geral de Vírus em Microbiologia

Vírus são entidades patogénicas cujos genomas são ácidos nucleicos, que se replicam no interior de células vivas usando a maquinaria sintética celular, e que causam a síntese de partículas que podem transferir o genoma para outras células.
Os vírus não possuem metabolismo, não produzem energia, não crescem e não se dividem, limitando-se a fornecer à célula infectada a informação genética a ser expressa pelo equipamento celular e à custa da energia obtida pela célula. São, por isso, parasitas a nível genético.

As partículas virais, ou viriões, são constituídas por uma cápsula proteica, a cápside, que encerra um nucleoide, composto pelo ácido nucleico viral, regra geral associado a proteínas. O conjunto da cápside e do nucleoide chama-se nucleocápside. Muitos viriões são ainda revestidos por um invólucro derivado da membrana celular no processo de saída do vírus por budding. As suas dimensões variam entre cerca de 20 nm (parvovírus) e cerca de 450 nm (poxvírus). A sua forma é variada, podendo ser esféricos, em forma de bastonete, filamentosos ou outras formas. Apesar da diversidade, consideram-se dois tipos fundamentais de estrutura: icosaédrica e helicoidal.
A classificação dos vírus é próxima da sistemática tradicional, com definição de géneros e espécies e seu agrupamento em famílias, mas sem agrupamento destas em taxa de nível superior.

 Os principais critérios utilizados na classificação dos vírus são:
a) tipo de estrutura do genoma – DNA ou RNA – cadeia linear ou circular, simples ou dupla; no caso de RNA de cadeia simples, a sequência deste pode ser igual à do mRNA viral (RNA de sentido positivo) ou complementar (RNA de sentido negativo), ou ainda dividido ou não por mais do que uma molécula de RNA (genoma segmentado).
b) estrutura – icosaédrica, helicoidal ou mista e com ou sem invólucro;
c) tipo de hospedeiro – vertebrados, invertebrados, plantas, fungos, bactérias.

Os vírus sem invólucro, ou vírus nus (enterovírus, adenovírus, reovírus, por exemplo) de cápside icosaédrica, são habitualmente mais resistentes aos agentes físicos e químicos, enquanto os vírus com invólucro (herpesvírus, vírus da gripe e do sarampo, arbovírus, por exemplo) são mais frágeis, devido à presença de glicoproteínas e lipoproteínas, o que os torna incapazes de manter a sua virulência ou de sobreviver no meio ambiente por longos períodos de tempo.
Assim, quando eliminados na natureza, os primeiros mantêm-se virulentos por longos períodos, enquanto os segundos se perdem. De referir a excepção dos vírus da varíola e da hepatite B, mantendo-se o primeiro viável em crostas e roupas de cama dos doentes e os segundos em objectos contaminados de sangue, como seringas e agulhas.

Quanto ao modo de transmissão dos vírus, pode dizer-se que está intimamente relacionado com as suas vias de eliminação .
A transmissão horizontal, ou seja, de indivíduo para indivíduo, pode, assim, fazer-se pelas seguintes vias: aérea, fecal-oral, sexual e sanguínea.
A transmissão vertical dá-se da mãe infectada para o feto através da placenta ou por contaminação daquele no momento do nascimento. Muitos vírus são específicos do homem, mas alguns existem em animais, nos quais podem ser patogénicos ou não, sendo transmitidos ao homem em determinadas circunstâncias. É o caso da febre-amarela, das febres hemorrágicas e da raiva, e o virus da influenza aviária. Os animais funcionam como reservatórios do vírus.

As portas de entrada dos vírus no organismo podem ser a pele, as vias respiratórias, o sistema digestivo, os órgãos sexuais e a conjuntiva ocular, sendo esta última a mais rara e ocorrendo, principalmente, com o herpesvírus simplex. Os vírus que penetram através da pele fazem-no quando esta apresenta escoriações ou abrasões (ex., herpesvírus, vírus da hepatite B, vírus dos papilomas), ou por inoculação directa quer pela picada de um insecto vetor (ex., febre amarela, dengue), quer pela mordedura de um animal doente (ex., raiva), quer ainda por agulha contaminada (ex., HIV).
A infecção que se processa pela via respiratória dá-se por meio de aerossóis (espirros, tosse, fala), secreções nasais ou saliva, quando as partículas virais passam as barreiras de defesa da árvore respiratória.
Os vírus que penetram por esta via não são apenas os vírus respiratórios, mas também os que produzem patologias sistémicas, como poxvírus (varíola), vírus da rubéola e do sarampo.
A transmissão de certos vírus por via digestiva dá-se quando aqueles contaminam alimentos ou água. Esta contaminação faz-se a partir de fezes de indivíduos que eliminam vírus, as quais podem conspurcar produtos hortícolas, frutos e água e dá-se, principalmente, quando as regras de higiene individual e colectiva são deficientes. A maioria dos vírus que se transmitem deste modo são enterovírus, por terem no intestino um local de passagem e/ou de multiplicação. Incluem-se, também, os picornavírus (poliovírus, vírus da hepatite A). A infecção por esta via está limitada a vírus sem invólucro, pois este não resiste à ação dos sais biliares que solubilizam os lípidos. No entanto, a cápside de certos vírus resiste à acção das enzimas proteolíticas.
Diversos vírus podem ser transmitidos por via sexual, por exemplo, os herpesvírus, o vírus da hepatite B, os HIV, os citomegalovírus (CMV) e diversos papilomavírus genitais. Alguns, como os da hepatite B e da SIDA, produzem infeções sistémicas.
A interação vírus-célula não se processa da mesma maneira relativamente a todos os vírus, nem as células respondem todas do mesmo modo à agressão viral. Ou seja, a natureza da infecção é determinada pelas características dos vírus e das células. É possível descrever, pelo menos, três mecanismos de interação do vírus com a célula, mas a fronteira entre eles nem sempre é clara. Assim, os vírus podem:
1) infectar células e nelas se replicarem, provocando-lhes lise, aquando da libertação dos viriões;
  1. infectar células sem completar o seu ciclo de replicação
  2. infectar células e aí persistir, por períodos de tempo mais ou menos longos, alterando-as e transformando-as.
No primeiro tipo de mecanismo, estamos em presença de uma infecção produtiva, com um ciclo lítico que se dá em células permissivas. Nestas podem surgir alterações visíveis, chamadas citopáticas ou de efeito citopatogénico, que se traduzem pelo aparecimento de lesões visíveis ao microscópio, como os corpos de inclusão. Na replicação viral produtiva podem formar-se partículas de maior ou menor virulência que se libertam da célula, lisando-a, como ocorre com os poliovírus e a maioria dos enterovírus.
Certos vírus, porém, libertam-se da célula sem lhe causar o tipo de “lise explosiva” característica dos enterovírus – causam-lhe apenas lesões menores, detectáveis por técnicas laboratoriais mais ou menos sofisticadas.
O segundo tipo de infecção chama-se abortiva ou não-produtiva e pode dever-se a diversos mecanismos, uns inerentes à célula e ao hospedeiro, outros ao próprio vírus. As células podem não possuir recetores específicos, sendo, por isso, células resistentes à infeção, ou não se mostrarem permissivas à sua multiplicação, por exemplo por lhes faltar a protease que iria clivar glicoproteína do invólucro do vírus. Também pode haver produção de interferões ou de outras citocinas, ou serem activados outros processos de defesa. Por seu lado, os vírus podem ser defectivos, sofrer mutações ou a interferência de outros vírus.

No terceiro tipo a infecção diz-se persistente. Nalgumas situações, o ácido nucleico viral integra-se no genoma da célula multiplicando-se juntamente com o DNA desta. O ácido nucleico estranho pode, então, promover a transformação celular, levando a célula a adquirir características de malignidade.  

Fonte: Sebenta de Microbiologia
Teresa Semedo

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